
A semana passada teve a marca indelével de uma polêmica. Não me refiro ao apagão que, claro, trouxe à baila as eleições 2010 e mostrou para a população a sujeira que corre a céu aberto quando o assunto é política. Incluo aí os meios de comunicação, que fazem tudo, menos contribuir para que o cidadão de bem tenha uma ideia consistente sobre o atual contexto da realidade social, política, econômica e cultural do país.
A mídia, aliás, também protagoniza o motivo deste post. A revista The Economist, um periódico semanal inglês criado em 1843, criado com o principal objetivo de defender o livre comércio e a mínima interferência do estado na economia - noutras palavras, o capitalismo, uma característica que, cá pra nós, inviabiliza qualquer chamego com a esquerda -, publicou em sua última edição a arrancada do Brasil rumo à condição de potência, graças sobretudo à estabilidade eonômica. Na capa, o Cristo Redentor prestes a decolar, tal qual um foguete. O título: "O Brasil decola".
Pois bem. Correu na internet o boato de que a revista Veja lançaria uma capa para contradizer a revista europeia. A suposta arte também apresentaria o Cristo Redentor, só que num pântano, em vias de cair no lodaçal. Ao fundo, um cenário de destruição. Veja chegou às bancas bem diferente. Destaca o corpo humano e seu uso.
A piada - pelo menos até a edição desta semana -, entretanto, não era tão impossível de ocorrer. Primeiro, porque Veja e a maioria dos meios de comunicação nacionais adotam linha editorial ultradireidista, francamente contrária ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no poder desde 2003 e reverenciado por uma popularidade extraordinária. O ex-torneiro mecânico contrariou toda expectativa sobre sua capacidade de gerir o estado brasileiro, privilegiou as camadas empobrecidas, com programas de renda complementar - pejorativamente adjetivadas de assistencialistas - e a educação, com a criação de nada menos que 12 universidades públicas, cursos técnicos e a adoção de mecanismos que facilitam o acesso ao ensino superior, entre outros.
E segundo, porque a proximidade das eleições do próximo ano injeta no contexto o fator político-partidário e sua relação promíscua com a imprensa. De agora em diante, pesquisas surgem do nada rumo a páginas, telejornais e agências virtuais de notícia, todos sedentos de mudança, num benefício direto a pré-candidatos da oposição. Não que a situação seja anjo. Nada disso. Mas o que espanta é o desequilíbrio, sobretudo no que diz respeito aos grandes veículos, e a falta de pudor em tornar público mentiras.
A reportagem de The Economist sublinha o desenvolvido do Brasil, a partir da década de 90, sobretudo após o controle da inflação, por meio do Plano Real. O fato de a iniciativa ter ocorrido na gestão de Fernando Henrique Cardoso não dá a ele todos os méritos, como deixa antever analistas que trabalham na imprensa de oposição. Até porque, nos oito anos em que dirigiu os destinos da Terra de Santa Cruz, FHC jamais obteve do exterior reconhecimento tão efusivo quanto seu sucessor. O governo Lula é competente, sim, na gestão do complexo estado brasileiro, a ponto de ter zerado a dívida externa com o Fundo Monetário Internacional e que FHC e seu séquito declarara "impagável".
Cito o exemplo do jornalista Reinaldo Azevedo, que mantém um blog no site de Veja. Ele não se furta à tentação de usar termos chulos para definir os petistas e procura enfatizar que, na referida matéria - The Economista -, há críticas veementes ao governo Lula. Adverte-o para a "húbris" - na definição do blogueiro significa "arrogância" - com os gastos excessivos da máquina e o olhar complacente sobre leis trabalhistas, taxadas de ultrapassadas. O texto da revista, segundo Azevedo, faz justiça quando cita FHC.
Sem querer, obviamente, Azevedo expõe uma chaga da imprensa brasileira. The Economist não comete gafe alguma ao elogiar e criticar o presidente Lula. Cumpre aí a função primordial da arte de bem informar/formar a opinião pública, conforme os moldes de linha editorial francamente de direita, oferecendo aos leitores a chance de fazer um juízo lógico acerca do assunto abordado. Se Veja, IstoÉ, Grupo Globo e outros tivessem postura semelhante, o brasileiro poderia mensurar melhor a qualidade de quem almeja concorrer à Presidência. Diga-se de passagem, um cargo de extrema importância e que, por isso mesmo, deveria ser algo longe do alcance de pessoas cujo passado e presente não o abonam em nada. Mas a subserviência ao dinheiro e a interesses inconfessáveis leva a imprensa a criar falsos líderes. Os holofotes os evidenciam sempre que a situação os favorece. E os coloca na penumbra quando as evidências escabrosas os abate.
Da lama emergem personalidades igualmente imundas, na alma e no caráter. Na verdade, não passam de protótipos de estadistas desbotados. Aliam covardia e tirania para se apresentarem na condição de anjos.
Afinal, o que os dois termos têm a ver um com o outro? Bem, o conceito de ambos os termos dá uma noção de que uma mistura assim pode ser explosiva. Senão, vejamos:
Covardia: É a corrupção da prudência, o oposto da coragem ou bravura. Trata-se de comportamento que reflete falta de coragem, medo, timidez, poltronice, fraqueza de ânimo, pusilanimidade ou, ainda, ânimo traiçoeiro. É deixar de fazer algo, desistir, abandonar pela metade, pela falta de confiança em si próprio. É atacar sabendo que o adversário não poderá defender-se.
Tirania: É caracterizada pelas ameaças às liberdades individuais e coletivas. A moderna tirania é representada por políticos que, não tendo mais o poder de matar ou mesmo prender o opositor, preferem usar métodos substitutos como processos judiciais por calúnia e difamação, compra da imprensa e dos órgãos de informação. O comportamento tirânico de um político muitas vezes pode ser visto pelas altas verbas gastas em publicidade governamental. Conceitos retirados da wikipedia.
A conclusão fica a cargo do internauta.