sábado, 7 de novembro de 2009

Anjos da morte

Já faz alguns dias que senti vontade de escrever um pouco sobre a verdade. Talvez porque nós estejamos num mundo aparentemente repleto de obviedades, sobretudo a partir do desenvolvimento tecnológico absurdo que a humanidade alcançou, e as facilidades dela provenientes, seja importante o indivíduo tomar cuidado com afirmações que pretendem encerrar discussões.

Não creio que a verdade exista. O que há é sua construção, a partir de parâmetros pré-estabelecidos, imersos na cultura dos povos. Daí sua relativização e o perigo que decorre de conceitos que são ao termo imputados, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Nestes casos, não se trata de verdades e, sim, de imposições com o claro objetivo de perpetuar a dominação dos fracos pelos fortes, por meio da manutenção do "status quo".

O fato pode ser observado no estudo da Ciência da Comunicação Social, que deveria contribuir para aumentar o senso crítico e que, ao contrário, aperta as correntes que prendem ou inibem a pessoa de raciocinar. Então, verdade e mentira se fundem de maneira escabrosa. O monstrengo que emerge da inusitada união alija do cenário qualquer reação oposta à meta de atender interesses inconfessáveis, na maioria das vezes de cunho político. Porque é da atuação pública que nascem honra, dignidade, compromisso e seriedade. Mas é dela também que surge o que de mais nojento existe, personficado na falta de caráter, na traição, no desrespeito à vida... Tudo em proveito próprio.

Os meios de comunicação - a imprensa em especial - enquadram o ambiente na perspectiva de linhas editoriais que não se importam com o bem comum. Defendem descaradamente os poderosos. Coloca-os em evidência quando a situação assim o requer. Da mesma forma, obscurecem-nos, fazem descer a penumbra sobre acontecimentos que poderiam interferir negativamente na execução de grandiosos projetos políticos. Tudo para escamotear evidências e solapar a capacidade de interpretar dos pobres mortais.

Sob esse aspecto, a mídia produz anjos da morte, reforça a hipocrisia e enaltece a mediocridade. Destrói e constrói supostas verdades com igual horror.

Presidente "analfabeto" bate recorde histórico e cria 12 universidades federais

Do Blog do Planalto: Com a sanção por parte de José Alencar, presidente da República em exercício, do projeto de lei que cria a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), o governo Lula atingiu nesta quinta-feira (5) a marca de 12 universidades criadas – recorde histórico no Brasil. A marca anterior era do presidente Juscelino Kubitschek, com 10 universidades federais.

O novo campus será inaugurado na primeira semana de dezembro e abrigará 1,4 mil universitários. Segundo Alencar, quando assumiu o governo teve uma conversa com o presidente Lula na qual ressaltava o fato de não terem curso superior: “O presidente Lula sempre diz assim: isso vai ficar para a história porque os brasileiros elegeram dois políticos que não têm curso superior. Por isso, nos compete fazer algo especial pela educação”.

O ministro Fernando Hadad (Educação) reforçou o discurso de José Alencar ao informar que até dezembro de 2010, o governo Lula terá inaugurado mais duas universidades. Hadad explicou também que o governo federal vem agindo em outras áreas, como a construção de escolas técnicas e creches. “O compromisso com a educação foi trazido para a agenda nacional e o País vem vivendo com os novos marcos”, explicou. Hadad informou também que houve a desvinculação da DRU o que permite ao Ministério da Educação contar com aporte de R$ 10 bilhões no próximo ano. Além disso, o Ministério terá mais R$ 5 bilhões proveniente do Fundeb.

A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, destacou a luta das lideranças políticas da região oeste do Pará para a aprovação do projeto de lei que resultou na nova universidade. “É a primeira universidade no interior da região amazônica”, disse. A UFOPA atua numa área com 18 municípios e um milhão de habitantes.

Vai-se o eterno galã

O presidente chamado de "analfabeto" mas que, até agora, superou em muito seus pares tidos como "intelectuais"

Do Estadão: O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, atribuiu as críticas que recebeu do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) na última semana ao "ódio" do tucano em relação a seu governo. "Eu compreendo o ódio que isso causa. Um intelectual ficar assistindo um operário que só tem o 4º ano primário ganhar tudo o que ele imaginava que iria ganhar e não ganhou por incompetência é muito difícil", disse ele, interrompido por palmas e um coro de "Olê Olê Olê Olá Lula" de mais de 800 pessoas que assistiam à abertura do 12º Congresso do PCdoB, no Palácio das Convenções do Anhembi, na zona norte da capital paulista.

O petista revidou também o ataque do compositor Caetano Veloso, que chamou Lula de "analfabeto" em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo. "Essa semana foi engraçada. Eu fui chamado de analfabeto, de ditador, por ter indicado a Dilma (Rousseff, ministra da Casa Civil) pelo ''dedaço'' e ganhei o título de estadista do ano", discursou Lula, em referência ao prêmio Chatham House 2009, que recebeu em Londres por seu empenho nas relações internacionais na América Latina.

O presidente ironizou o fato de não ter a "sapiência dos sociólogos", em uma referência à formação de Fernando Henrique, e dissociou a inteligência do saber acadêmico. "Tem gente que acha que a inteligência está ligada à quantidade de anos de escolaridade que você teve. Não tem nada mais burro que isso. A universidade te dá conhecimento. Inteligência é outra coisa."

Para o petista, na política, vale mais a inteligência do que o conhecimento. "Muito mais", enfatizou. "A inteligência de saber formar uma equipe não está no livro. Está na sensibilidade. A inteligência de tomar decisões não está no livro. Está no caráter e no compromisso do dirigente."

Lula comparou Fernando Henrique a um jogador de futebol que fica no banco de reservas torcendo para que um titular se machuque para poder entrar em campo. "Fernando Henrique tinha certeza de que nós seríamos um fracasso e de que ele poderia voltar por conta do meu fracasso", disse. "É isso que magoa. Eu lamento. O mundo não deveria ser assim."

Apesar de mostrar-se incomodado com as críticas do ex-presidente tucano, Lula tentou contemporizar: "A vida é assim. A pessoa fala o que quer, ouve o que não quer. A vida é dura." Ele disse ainda não guardar rancor em relação aos ataques. "Não sou homem de carregar mágoas por mais de cinco minutos. O mandato não permite que a gente fique brigando por coisas secundárias."

Hitler

O presidente afirmou sentir "pena" dos tucanos por eles planejarem um programa de treinamento de cabos eleitorais no Nordeste do Brasil com vistas às eleições de 2010. "É um pouco o que o Hitler fazia, para que os alemães pegassem os judeus. Ou seja, vamos treinar gente para não permitir que eles sobrevivam", disse ele, em referência ao ditador nazista alemão, Adolf Hitler.

Para Lula, a estratégia do PSDB no Nordeste não vai funcionar. "Eles vão encontrar lá gente do PCdoB, PT, PDT, PSB, CUT (Central Única dos Trabalhadores) e todas as centrais, MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e movimento popular. Acho que vão se dar um pouco mal."

Eleições

Último a falar, após duas horas de discursos de parlamentares e ministros, Lula deu sequencia ao clima de palanque petista do evento. Possível candidata do PT à Presidência em 2010, Dilma foi saudada pelo governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), como "futura presidenta do Brasil".

Em tom de conclamação, Lula alertou para o risco de retrocessos caso seja eleito no próximo ano um presidente que não Dilma. "Quem é prefeito ou governador sabe bem que um estranho no ninho pode desmontar em apenas dois anos tudo o que foi feito. E não venham dizer que o movimento popular não deixa por que é bobagem."

O pleito de 2010 será o primeiro em décadas do qual Lula não participará como candidato. "Tenho uma certa tristeza. Essa vai ser a primeira eleição para presidente da República em que meu nome não vai estar na cédula. Na minha cabeça vai ter um vazio", brincou. "Por isso, depois dele (Lula), (vem) a Dilma, para poder consagrar a continuidade de um projeto."

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Imprensa isenta? No Brasil? Conta outra, vai!

A edição mais recente da revista Veja traz matéria que ridiculariza o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mais uma vez. Até aí nada de extraordinário, em se tratando de veículo de comunicação que nunca fez questão de esconder a ideologia de ultradireita a que pertence. A novidade está no fato de que, além de atacar o chefe da nação, a revista apresenta-se justamente na condição de arauta da boa e velha imprensa. Como se suas páginas carregassem a lisura necessária ao fiel exercício da nobre profissão.

Nada mais longe da realidade. Intitulado "Más notícias, presidente", o texto foca afirmação de Lula, durante evento para catadores de papel, em São Paulo. Em determinado ponto de seu discurso, o presidente pediu aos jornalista presentes que conversassem com a categoria e se ativessem às palavras dos entrevistados, sem interpretá-las. Ah! Foi o suficiente para que, raivosamente, a revista comparasse Lula a seus pares da Venezuela, Bolívia, Argentina e do Equador. Uma vizinhança que, na opinião de Veja, despreza a liberdade de imprensa e impõe à população apenas a versão oficial dos fatos. Um procedimento que, diga-se de passagem, até então não era verificado no Brasil, berço sagrado da democracia. Até então! Não esqueça!

Para bom entendedor, meia palavra basta. Daí o pensamento subtendido, o alerta sobre o possível nascimento de uma ditadura de esquerda na Terra de Santa Cruz, se os brasileiros não tomarem cuidado. Também aqui nada de estarrecedor, pela linha editorial em questão.

O impressionante é que Veja se coloca na posição de verdadeiro ícone da objetividade. Quem estudou um mínimo que seja da ciência da Comunicação Social sabe que o termo caiu no desuso, simplesmente porque, hoje, a maioria concorda que o jornalismo nasce das versões e não do mero reportar dos fatos, como se espelho da verdade absoluta fossem. Cada matéria possui um "quê" da pessoa que a redigiu e do meio que a veiculou.

Na contramão da história, Veja passa a falsa ideia de que, no Brasil, a imprensa respeita o público e não cultiva outro interesse que não o de informar ou, como preferem os românticos, ser porta-voz da sociedade. Veja esqueceu-se de que o dia-a-dia das redações é bem diferente disso. Há interesses fortíssimos por trás de jornais, TVs, rádios, revistas e internet (leia-se sites de notícias dos grandes meios). A imprensa não olha todos igualmente. Nem as personalidades. Existem aquelas com tanto poder que, por meio do dinheiro ou de ameaças veladas, impõem o silêncio em torno de acontecimentos às vezes escabrosos e que poderiam interferir na execução de ambiciosos projetos políticos.

Em tempo: Necessário abrir um parêntese para reconhecer um dos muitos defeitos do presidente Lula: a língua. Certa feita, o recém-eleito presidente operário foi a um evento, salvo engano, em São Paulo, onde estava a nata do empresariado da capital. Para variar, Lula falou o que não devia. Resultado: o Estadão mancheteou na edição do dia seguinte o conteúdo - que, infelizmente me foge à memória - dos impropérios presidenciais.

Ao ler o jornal e começar a sentir os efeitos negativos do que dissera, Lula teria comentado o seguinte: "Todo mundo tem duas orelhas, um nariz, dois olhos e uma boca. Eu, não. Tenho duas orelhas, um nariz, dois olhos e duas bocas".

Numa recente conversa que manteve com o jornalista Kennedy Alencar e que redundou em manchete da Folha de S. Paulo, o presidente reconheceu novamente seu "tendão de Aquiles". Afirmou que não gosta de interlocutores. Prefere falar ele mesmo. "Eu falo demais", pontuou. Antes, Lula deu mostras de sua fraqueza. Para ilustrar a promiscuidade que reina na política nacional, impiedosa com quem não faz alianças, com supostos adversários inclusive, o presidente desancou. Garantiu que, se Jesus Cristo morasse no Brasil, faria aliança até com Judas, o traidor. A Folha e afins exploraram a infeliz comparação dias a fio.

No episódio dos catadores de papel, Lula colhe os frutos de sua naturalidade que talvez o leve ao descontrole verbal. Nada, entretanto, que o coloque abaixo da maioria dos políticos brasileiros. Ao contrário. Lula é melhor que grande parte deles. Apenas não é perfeito, como querem alguns parecer.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Vida ou morte, depende do ponto de vista

Duas datas intrigantes são lembradas no calendário litúrgico, em novembro. No dia 1º, a Igreja Católica menciona com especial fervor Todos os Santos, que estariam já na glória a desfrutar do convívio divino face a face. É o que se chama Jerusalém Celeste ou pátria definitiva. No dia seguinte há a comemoração - isso mesmo, comemoração - dos fiéis defuntos, numa clara alusão ao fato de que, para os cristãos, a morte não significa o fim, mas simplesmente a passagem de um estágio a outro de vida. Os restos mortais ficam no cemitério, como que a "semear" o local sagrado, até a 2ª vinda de Jesus, enquanto a alma segue para Deus e, depois, para o purgatório ou para a Jerusalém Celeste, conforme o grau de elevação espiritual.

Nesse contexto toma lugar um ensinamento largamente popularizado no Credo: a comunhão dos santos. Seria uma espécie de ligação, via oração de intercessão, das igrejas peregrina (terrena), purgatorial (purificadora) e triunfante (Jerusalém Celeste). Uma realidade possível graças à ressurreição, o fundamento da fé cristã,também expressa no Credo. Alguns teólogos gostam de descrevê-la de maneira poética, bonita mesmo. Antes de vencer a morte, Jesus descera à mansão dos mortos e, em seguida, pela ressurreição, inaugurara o céu com a vida eterna, o grande trunfo da Cristandade.

Daí o sugestivo questionamento sobre a existência, mais precisamente a respeito da maneira como cada um a está usando ou direcionando. Sempre sob o amparo da perspectiva de eternidade, ao ser humano Deus oferece período único, que a Bíblia denomina de "plenitude dos tempos" ou "tempo da graça" - levada a efeito pela encarnação do Verbo -, para melhor colaborar na execução da obra da salvação. O Tríduo Pascal - paixão, morte e ressurreição - significa, antes de mais nada, "o ponto nodal" em que a fé separou-se da razão. Então, o espanto diante da mensagem do Messias, cujo cerne mostra paradoxos incompreensíveis ao intelecto. Da morte brota a vida. Para nascer é preciso morrer. São Paulo reflete muitíssimo bem tal verdade, quando proclama, em alto e bom som, que Deus escolhera o fraco para confundir os fortes, o simples para confundir os doutores. A lógica divina definitivamente não é a lógica humana.

O Dia de Finados, portanto, não por acaso precedido do Dia de Todos os Santos, representa momento ímpar de celebração da vida e não da morte.

domingo, 1 de novembro de 2009

Curiosidade do outro lado do mundo


O outono chinês é normalmente marcado por paisagens avermelhadas e opacas, sem o colorido intenso do verão. Mas neste ano as altas temperaturas que continuam superando os 20 graus em pleno mês de outubro têm transformado o visual desta estação. Quem agradece são os turistas, que podem aproveitar melhor os passeios em lugar como o Parque Xiangshan, situado no noroeste da capital chinesa.

Internet 40 anos


A internet completa 40 anos no local onde nasceu, na Universidade da Califórnia (UCLA), em Los Angeles. Lá, o pai da web previu futuro de ficção científica para a rede mundial de computadores. Leonard Kleinrock, professor de informática da UCLA, e responsável pelo primeiro envio de uma mensagem entre dois computadores ligados em rede, anunciou que, daqui a dez anos, a internet estará até na ponta dos dedos.

Brasil registra queda histórica em mortalidade infantil

Deu no JB Online: Há poucos anos, o Brasil aparecia como um dos líderes no desonroso ranking dos países com maior taxa de mortalidade infantil da Organização das Nações Unidas. Eram 47,1 mortes para cada mil nascidos vivos. Atualmente são apenas 19,3 para cada mil. Se a mortalidade continuar neste ritmo de queda, o país alcançará ainda em 2011 o quarto objetivo do milênio proposto pela entidade internacional, de 15,7 óbitos para cada mil nascidos vivos, que, supostamente, deveria ser atingido até 2020.

Honduras: o gol foi do Brasil

De Flávio Aguiar, Agência Carta Maior: Foi o Secretário (equivalente a Ministro no Brasil) Thomas Shannon Jr. sair do banco de reservas e entrar em campo para Micheletti, o presidente golpista em Honduras, afinar e aceitar alguma forma de acordo. Pudera: além de levar para a área de Micheletti o risco dos EUA não reconhecerem a eleição de novembro sem um acordo com Zelaya, Shannon levava também por debaixo do pano a ameaça de que isso redundasse na retirada dos milhões de dólares da ajuda norte-americana ao país, cujo governo ficaria então, literalmente, pendurado no pincel e sem escada para descer, ameaçando esborrachar-se. Mas não nos iludamos.

Neste jogo perigoso o gol não foi norte-americano. O gol foi do Brasil, na verdadeira folha seca que foi, em curva pelo lado da barreira, como fazia Waldir Pereira, o imortal Didi, o acolhimento de Zelaya na nossa embaixada em Tegucigalpa. Os norte-americanos escaparam isso sim de marcar um gol contra, ameaçados que estavam de uma conivência velada com os golpistas por omissão, o que arruinaria de vez a política do presidente Barack Obama para a América Latina, além de mergulha-lo no descrédito. Esse descrédito não seria apenas externo. Seria interno também.

A partir de um fracasso de Obama na questão, os republicanos e seus lobistas mais à direita fariam gato e sapato com tudo o que o novo governo tentasse fazer, em qualquer frente, inclusive na área da saúde.Aparentemente foi mais complicado negociar internamente no próprio governo norte-americano do que soltar a pelota na área de Micheletti e mandar escrever, senão o pau ia comer na pequena área.Por seu lado, o Brasil sai com um trunfo e um triunfo na mão, contra todos os fantasmas que se ergueram no caminho, alegando que o Itamaraty estava deixando sua tradicional posição “equilibrada” para se envolver numa disputa que não era sua, como se democracias e ditaduras nas vizinhanças não nos dissessem respeito.

Junto com a aprovação da entrada da Venezuela na Comissão de Relações Exteriores do Senado, esse acordo em Tegucigalpa, possibilitando que Zelaya deixe a embaixada para o Palácio Presidencial, ou pelo menos encaminhando a questão nesse sentido, é uma grande vitória para o governo e sua política interna e externa. “O Brasil estava certo”, é o que se pode ler nas entrelinhas de qualquer noticiário. Foi a intervenção brasileira, acolhendo Zelaya, que abriu a oportunidade e ao mesmo tempo forçou os Estados Unidos a agirem.Se os golpistas, apesar das repetidas juras de Micheletti em sentido contrário, atentassem contra a embaixada, os Estados Unidos e sua omissão seriam co-responsáveis pelo que viesse a ocorrer. E ficou mais uma vez comprovado que o Brasil tornou-se um jogador indispensável dentro dessas quatro linhas, que é a complicada quadratura do círculo da política regional e mundial.

Palavras de um morto-vivo

Num final de semana em que o imbróglio de Honduras parece dar sinais de que, finalmente, será resolvido, e que o índice de mortalidade infantil vem à tona como um dos mais baixos da história, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso escreve o artigo "Para onde vamos?" em que desanca o ex-companheiro e atual chefe da nação.

A ferocidade com que FHC bate em Lula chega ser engraçada. Primeiro porque, segundo consta nos anais da política brasileira, o sociólogo e presidente de honra do PSDB pediu encarecidamente que o país esquecesse o que escrevera enquanto militante esquerdista. Àquela altura, FHC mostrava a que viera: rendera-se ao neoliberalismo como poucos. Entre suas ações destacam-se um governo voltado para as elites e uma avalanche de privatizações. A maior e mais polêmica delas, a da antiga Vale do Rio Doce que, até hoje, gera protestos, sobretudo devido ao contexto nebuloso em que aconteceu: foram recebidos míseros U$ 3 bilhões, valor que não levou em conta as reservas de ferro da empresa e que, nos dias que ora correm, equivalem a apenas fração do lucro trimestral da 2ª maior mineradora do mundo.

E segundo, as hilárias palavras de FHC surgem nas vésperas do Dia de Finados. É como se saíssem da boca de um morto-vivo, prestes a deixar a tumba na qual recolhera-se e, no melhor estilo oposicionista, dar o pontapé inicial para a corrida presidencial de 2010. Simples estratégia de campanha.

A seguir, alguns trechos da pérola de FHC:

"A enxurrada de decisões governamentais esdrúxulas, frases presidenciais aparentemente sem sentido e muita propaganda talvez levem as pessoas de bom senso a se perguntarem: afinal, para onde vamos? Coloco o advérbio “talvez” porque alguns estão de tal modo inebriados com “o maior espetáculo da terra”, de riqueza fácil que beneficia a poucos, que tenho dúvidas."

"Por que anunciar quem venceu a concorrência para a compra de aviões militares se o processo de seleção não terminou? Por que tanto ruído e tanta ingerência governamental em uma companhia (a Vale) que, se não é totalmente privada, possui capital misto regido pelo estatuto das empresas privadas? Por que antecipar a campanha eleitoral e, sem qualquer pudor, passear pelo Brasil às custas do Tesouro (tirando dinheiro do seu, do meu, do nosso bolso...) exibindo uma candidata claudicante? Por que, na política externa, esquecer-se de que no Irã há forças democráticas, muçulmanas inclusive, que lutam contra Ahmadinejad e fazer mesuras a quem não se preocupa com a paz ou os direitos humanos?"

"Pouco a pouco, por trás do que podem parecer gestos isolados e nem tão graves assim, o DNA do “autoritarismo popular” vai minando o espírito da democracia constitucional. Essa supõe regras, informação, participação, representação e deliberação consciente."

"Diferentemente do que ocorria com o autoritarismo militar, o atual não põe ninguém na cadeia. Mas da própria boca presidencial saem impropérios para matar moralmente empresários, políticos, jornalistas ou quem quer que seja que ouse discordar do estilo “Brasil potência”."

"Estado e sindicatos, Estado e movimentos sociais estão cada vez mais fundidos nos altos-fornos do Tesouro. Os partidos estão desmoralizados. Foi no “dedaço” que Lula escolheu a candidata do PT à sucessão, como faziam os presidentes mexicanos nos tempos do predomínio do PRI. Devastados os partidos, se Dilma ganhar as eleições, sobrará um subperonismo (o lulismo) contagiando os dóceis fragmentos partidários, uma burocracia sindical aninhada no Estado e, como base do bloco de poder, a força dos fundos de pensão. Estes são “estrelas novas”. Surgiram no firmamento, mudaram de trajetória e nossos vorazes mas ingênuos capitalistas recebem deles o abraço da morte. Com uma ajudinha do BNDES, então, tudo fica perfeito: temos a aliança entre o Estado, os sindicatos, os fundos de pensão e os felizardos de grandes empresas que a eles se associam."

"Comecei com para onde vamos? Termino dizendo que é mais do que tempo de dar um basta ao continuísmo antes que seja tarde."

Ah! Lembre-se! Leia a íntegra aqui, na versão eletrônica do jornal Zero Hora, e esqueça tudo, tá?

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Lula: "...e o jogo da vida (....) ele é ganho na disputa"



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva completou 64 anos ontem, com direito a bolo e tudo o mais. Durante evento, em Brasília, ele disse que não pretende deixar a política e que gostaria de um presente: a vitória de sua candidata à Presidência, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Com todo o carisma que lhe é peculiar, Lula deixa uma mensagem para quem anda desanimado com a vida. Vale a pena escutar.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Melodia de Amor, por Mantovani, grande orquestra

Digno de todos os elogios, o maestro Annunzio Paolo Mantovani encantou o mundo, sobretudo o do cinema, com sua grande orquestra. Adocicou o paladar mais apurado com interpretações simplesmente maravilhosas. Caso da conhecidíssima "Somewhere my love" ou, se preferir, "Tema de Lara", canção-título de "Doutor Zhivago", filme de 1965, baseado no romance homônimo de Boris Pasternak. Nunca ouvi versão mais linda do que a de Mantovani que, aliás, pode ser apreciada no próprio filme. Infelizmente, não a encontrei para postá-la aqui. Para saciar a vontade de ouvir Mantovani, coloco neste espaço "Melodia de Amor", também uma belíssima canção executada pela Orquestra Mantovani que, durante muitos anos, foi considerada a orquestra oficial do cinema.

Doutor quer ser gari

Deu hoje no Bom Dia Brasil e no G1:

"Olha só o nível de escolaridade dos candidatos que vão concorrer a uma vaga de gari no Rio de Janeiro. As inscrições já acabaram e veja quantos inscritos: dos 124 mil candidatos, quase 1,2 mil têm nível superior completo; 86 têm pós-graduação; 24, mestrado e 50, doutorado. O concurso exige apenas o quarto ano do ensino fundamental e o salário é de R$ 486, mais tíquete-alimentação, plano de saúde e vale transporte."

sábado, 24 de outubro de 2009

De embargos e pesquisas

Este post visa comentar dois episódios que, por ora, marcam febrilmente os noticiários atuais.

Antes, porém, seria correto fazer dois alertas aos internautas. Primeiro, que a imprensa lida com versões e não com verdades absolutas. Isso significa que a notícia em si é veiculada conforme a linha editorial dos meios de comunicação. Só aí dá para entender que a grande maioria delas, sem exceção, chegam carregadas de interesses que não o de meramente informar. O objetivo principal é formar opinião em torno de determinado assunto.

E segundo é que não se pode desprezar que o Brasil já vive sob a expectativa das eleições 2010, quando serão escolhidos presidente, senadores e deputados (federal e estaduais). Então, conclui-se que, a partir de agora, tudo que você lê, ouve ou vê mereça maior atenção, sobretudo na análise de conteúdo.

Pois bem. A grande mídia alardeia aos quatro ventos o episódio em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tece críticas ao Tribunal de Contas da União. Lula acusa o TCU de "travar" a nação, porque a Polícia Federal remeteu ao órgão inquérito sobre supostas irregularidades num lote de licitações para obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), avaliadas em R$ 400 milhões.

Interessante perceber, no contexto, que são órgãos federais - sob a tutela do governo Lula -, que se arvoram em denunciar prováveis falcatruas no PAC, cujos críticos apontam como plataforma política para a pré-candidata do PT, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Mais um ponto para o presidente Lula, que expõe as vísceras do sistema e, apesar disso, não cerceia a atuação das respectivas instituições, ao chefe supremo da nação ligadas. Governo que fiscaliza governo. Democracia é assim, não é?

Mas há o outro lado da moeda. Afirmam alguns que o TCU também entrara na sujeira política e, ao contrário do que deveria ocorrer, intervém sob auspícios partidários. Algo inconcebível? Sim, claro! Sinto lembrar, contudo, que o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, recentemente saiu do casulo do STF para atear fogo à polêmica (para a oposição) viagem do presidente Lula às obras de revitalização e transposição do rio São Francisco. Disse que condenava a antecipação do processo eleitoral. Para o bom entendedor, meia palavra basta.

O TCU, entretanto, caiu no buraco. O blog do Josias de hoje escancara que, a exemplo das obras do PAC que deseja embargar, o próprio TCU detém uma paralisada. Adivinha por quê? Problemas na licitação. Também. Trata-se de construção destinada a abrigar secretarias do Tribunal. Ao que tudo indica, a obra foi interrompida, com prejuízos de R$ 2 milhões. A construtora simplesmente parou o serviço, quando atingira apenas 20% do total acertado. Recebeu R$ 12,9 milhões do R$ 70 milhões previstos.

Na ponta do iceberg ainda tem as pesquisas, que representam algo preocupante. Os institutos tidos como confiáveis por vezes transformam-se em protagonistas. Caso do Ibope, que não demonstrou qualquer escrúpulo em declarar, à revista Veja, o vencedor das eleições 2010. Ora, falta um ano para o pleito e já personifica o futuro presidente? Há ainda os estudos fajutos, sob encomenda de políticos. Agora há pouco, uma deles vazou e, ao que parece, provocou verdadeiro curto-circuito num partido de oposição que, a propósito, não traz para si a autoria da encomenda.

Fica a cargo do internauta/cidadão, pois, observar as nuances dos acontecimentos. O que não pode é a ingenuidade, não raro presa fácil dos mal-intencionados.

O meu blog tem uma linha definida. Apoia a candidatura de Dilma Rousseff e admira o governo do presidente Lula.