quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Thiago pede ajuda

Recebi o e-mail abaixo agora há pouco:

Venho contar-lhes a historia do pequeno Thiago, de apenas 7 anos, morador da zona rural de Pintópolis-MG, e que, por uma picada de escorpião e falta de atendimento médico, sofreu sequelas permanentes. Ele se alimenta por sonda, e utiliza fraldas, ficou 62 dias internado e hoje mora em uma casa alugada graças à solidariedade das pessoas.

Thiago hoje está em estado vegetativo. Seus pais o carregam nos braços para tratar o pequeno em uma faculdade de MONTES CLAROS. Por solidariedade, ganhou sessões de fisioterapia e atendimento médico. Desde o ocorrido, vive a grande dificuldade dos pais que tanto o amam.

Por isso, aproveitando o espírito natalino que se aproxima e presenciando a dificuldade desta familia, venho perdi-lhes que nos ajude, ele precisa de uma cadeira de rodas (especial), fraldas (PESO 15 Kg) e leite NUTREN JUNIOR (BAUNILHA) (R$32,00 e dura apenas dois dias), produtos de higiene pessoal,móveis usados pois a familia deixou seus poucos pertences na sua cidade natal (mesa, cadeira, TV, para que os pais tenham um pouco de conforto em casa).

Precisamos da sua ajuda!!!!!!!!!

karina Bicalho = kvbicalho@hotmail.com (38) 9963-7186 (todo o dia) ou (38) 32136025 (a partir das 18:00).
Pais de Thiago: Modestio/Maria do Carmo (38) 9809-7640
Tabatha:
tabatha.prates@hotmail.com

Nota do blog: O Brasil da desfaçatez, do cinismo político é esse, com pessoas obrigadas a viver à mercê da sorte.

"Vira-latas" continuam defesa de política externa minimalista

Do blog Vi o mundo

:

TENDÊNCIAS/DEBATES

A paz desejável

* Marco Aurélio Garcia

Quem governa um Brasil, ou quer governar, sabe que há temas de política externa que não podem ser objeto de oportunismo eleitoral NO ESPAÇO de duas semanas, o Brasil recebeu as visitas dos presidentes de Israel, da Autoridade Palestina e do Irã. Não é ocasional a presença em nosso país de três atores-chave do conflito que há décadas infelicita o Oriente Médio.

Os três governantes -- cada um a sua maneira -- viram na diplomacia brasileira, especialmente no presidente Lula, uma possibilidade de, por meio do diálogo, avançar no caminho de uma solução negociada para um conflito que transcende a dimensão puramente regional. Ele ameaça a paz no mundo.

Essa é também a percepção de muitos líderes mundiais. O presidente norte-americano, Barack Obama, nas conversações mantidas com Lula e em recentíssima carta a ele enviada, reitera o papel que o Brasil poderá ter na busca de uma solução de paz para o Oriente Médio -- aí incluindo suas conversas com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.

Mas essa não é a percepção de quem defende uma política externa minimalista, para não dizer subserviente. Nela, as grandes potências se ocupariam dos grandes temas enquanto os demais países se ocupariam do resto. Assuntos como esse não poderiam ser tratados pelos "vira-latas" aos quais se referia Nelson Rodrigues ao analisar o comportamento de certos brasileiros, vítimas de complexo de inferioridade.

Quando o governo organizou a cúpula América do Sul-Países Árabes em 2005, essas mesmas vozes se fizeram ouvir. Para que essa reunião? Haviam criticado, em 2003, a viagem de Lula ao Oriente Médio, aí incluindo a Líbia. As críticas sumiram quando Tony Blair [ex-premiê britânico], José María Aznar [ex-premiê espanhol] e Silvio Berlusconi [premiê italiano] também fizeram o caminho de Trípoli semanas após.

Durante a crise de Gaza, no começo deste ano, o presidente Lula determinou que o chanceler Celso Amorim visitasse o Oriente Médio e se entrevistasse com os líderes políticos da região em busca de alternativas. Houve quem buscasse ridicularizar a missão, qualificando-a de megalômana.

A persistência do impasse na região, seu potencial explosivo e a pertinência de nossas propostas mostraram o acerto daquela iniciativa.

A tese defendida pelo presidente Lula era (e é) a de que havia necessidade de "arejar" as negociações no Oriente Médio. A inclusão de novos interlocutores poderia dar aos entendimentos uma credibilidade hoje inexistente.

Outros países, como a África do Sul, a Índia e o próprio Brasil -- para só citar três que não ocupam lugares permanentes no Conselho de Segurança -- podem contribuir para lograr o que até agora os interlocutores de sempre, sozinhos, não conseguiram.

O Brasil tem posições claras. Defende a existência de dois Estados -- o Palestino e Israel -- viáveis e seguros, com base nas fronteiras de 1967.

Coincide com Shimon Peres [presidente de Israel] e Mahmoud Abbas [presidente da Autoridade Nacional Palestina] sobre a necessidade de trocar terra por paz.

Nossa diplomacia está segura de que a imensa maioria das populações afetadas pelo conflito -- judeus e palestinos -- anseiam pela paz.

O Brasil condena todos os que se opõem à existência do Estado de Israel. Repudia todas as formas de terrorismo. Insta Tel Aviv a suspender novos assentamentos e construções nos território ocupados e a acatar as resoluções das Nações Unidas.

Metaforicamente, o presidente Lula tem citado a boa convivência de árabes e judeus em nosso país como um paradigma a ser seguido mundo afora.

Quem governa um país como o Brasil -- ou quem quer governar -- sabe, ou deveria saber, que os temas de política externa, sobretudo quando envolvem questões maiores, como a paz no mundo, não podem ser objeto de oportunismo eleitoral.

O diálogo que o governo brasileiro tem mantido com as comunidades árabe e israelita em nosso país e na América Latina é transparente e não deixa dúvidas sobre nossas posições, seja sobre temas de natureza histórica -- como o Holocausto --, seja sobre questões mais recentes, elas também dolorosas.

Essa cristalina transparência difere das águas turvas dentro das quais pescadores lançam suas iscas. Mais para atrair incautos eleitores do que para oferecer alternativas.

* MARCO AURÉLIO GARCIA, de 68 anos , é assessor especial de Política Externa do presidente da República e professor licenciado do Departamento de História da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Foi secretário de Cultura do município de São Paulo (gestão Marta Suplicy).

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Peré lança "Sapo na Muda"

Da Prefeitura: O jornalista Luís Carlos Novaes lança, nesta quinta-feira, 26, às 20h, o livro “Sapo na Muda: Meus Amigos, Meus Mortos, Meus Caminhos Tortos”. A obra é uma coletânea de crônicas publicadas na coluna “Sapo na Muda” que, há sete anos, ele assina no Jornal de Notícias, do qual é editor. São 122 páginas impressas pela Editora Millennium, via Consórcio Literário Oficinas das Letras. A solenidade será na abertura oficial da XIX Festa Nacional do Pequi, no Centro Cultural, na Praça Doutor Chaves, centro histórico de Montes Claros.

“Estou estreando como escritor, embora já possua outras crônicas jornalísticas selecionadas para outros quatro livros que espero publicar em breve”, ressalta entusiasmado Peré, como é mais conhecido na imprensa local, onde atua desde 1973.

“Comecei exatamente no início da crise do petróleo. Foi quando deixei o saudoso Tiro de Guerra 87 e ingressei no jornalismo, de onde nunca mais saí, trabalhando como repórter no extinto Diário de Montes Claros”, diz ele, que tinha, então, como editores Felipe Gabrich e Jorge Silveira. "Com os quais aprendi muito do trabalho jornalístico”, admite.

Sapo na Muda” tem como pano de fundo a crise política brasileira, nascida com o golpe militar de 1964. Reúne as crônicas em que o autor liberta sua memória para narrar, com um humor inconfundível, momentos da vida de muitos de seus amigos, durante os anos da década de 1970, revelando suas emoções e atitudes diante de situações que a época proporcionava, passando pelos movimentos sociais, artísticos e culturais que marcaram, sobretudo, a juventude do chamado “anos de chumbo”, quando o Estado de Exceção privava o cidadão de seus direitos constitucionais.

PERIGO -Peré lembra que era um “tempo perigoso” para todos, face ao embate entre o capitalismo e o comunismo, a democracia e a ditadura, principalmente para quem lidava na imprensa, cerceada pelos plantões dos censores dos generais. “Ainda assim, conseguíamos levar adiante muitas propostas que, então, eram consideradas subversivas num país em que, por pouco, seus habitantes quase foram proibidos até de pensar”, acrescenta, sem esconder que a “ingenuidade” também fazia parte das ações daquela juventude, nem sempre informada corretamente da política exercida pelos quartéis.

Ele destaca iniciativas como a criação da Academia Juvenil de Letras de Montes Claros, a constituição do Catibum, movimento que reunia os jovens da cidade para debates sobre vários temas – locais e nacionais, e para troca de informações, bem como a realização da Missa Jovem, exatamente quando a Igreja Católica também não escapava da mira dos militares, e muitas outras passagens que relembra ao leitor com sua verve de historiador.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Lula e Ahmadinejad: polêmica e interesses escusos



Ainda durante muito tempo, a visita do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad ao Brasil será pauta para a imprensa e para protestos de amantes dos direitos humanos. O líder desse país do Oriente Médio faz jus à polêmica que incendeia onde quer que esteja. Ele despreza os judeus, defende a extinção do estado de Israel e questiona a existência do holocausto, quando, comprovadamente, morreram mais de seis milhões dos descendentes dos hebreus. Além do mais, quer porque quer desenvolver energia nuclear, segundo diz, para fins pacíficos.

Torna-se necessário, entretanto, saber o porquê de tanto disse-que-me-disse em torno da presença do líder iraniano no Brasil. O imbróglio transcende conversas sobre programa nuclear no Oriente Médio para desembocar no sangrendo conflito Israel-Palestina. Israel, o estado judeu por excelência. Palestina, território de maioria muçulmana onde os judeus reimplantaram seu país, após vencer uma guerra horrível. No início do mês, a Terra de Santa Cruz estendeu tapete vermelho para o presidente de Israel, Shimon Peres. Analistas apostam que a vinda de Peres resumiu-se a um esforço diplomático, no sentido de reduzir o impacto da visita de Ahmadinejad.

A bomba estoura no colo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não se furtou a receber personalidade tão indigesta. E, sempre é bom lembrar, em ano pré-eleitoral. Mas o fato é que o próprio presidente norte-americano Barack Obama, opositor ferrenho das ideias de Ahmadinejad, crê que Lula possa desempenhar o papel de "fiel da balança" e intermediar, quem sabe, conversas entre arqui-inimigos.

A mídia brasileira e, claro, parte dos políticos, irmanam-se às minorias que, diga-se de passagem, exercem função de importância vital no processo democrático ao não aceitar a presença do líder iraniano, um ditador sem meias palavras. Com o diferencial de que, ao contrário da tropa de choque formada pela imprensa e por políticos, cujos interesses passam longe da descência de se lutar em prol de uma causa nobre, essas minorias organizadas acreditam naquilo que as leva para as ruas, são legítimas.

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Blecaute não influi em popularidade de Lula

Apesar de ser mais uma pesquisa pouco confiável, dado à origem - CNT / Sensus, de propriedade do ex-vice-governador de Minas, Clésio Andrade, também presidente do diretório estadual do Partido da República e da Confederação Nacional do Transporte, muito ligado a pré-candidatos da oposição -, vale ressaltar dois pontos interessantes.

O primeiro deles é o percentual de cidadãos que afirmam votar no candidato que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apoiar. Essas pessoas equivalem a nada menos que 20,1%, menor o,7% em relação à última sondagem. Outros 16% aventam, sim, a hipótese de seguir Lula. Dados que a maioria dos grandes portais de notícia sequer mencionaram ou, se o fizeram, foi de maneira muito sutil, quase que imperceptível.

O segundo é que a pesquisa realizada de 16 a 20 de novembro, em 131 municípios de 24 estados, aponta também algo que todos já sabiam, menos o dono da CNT / Sensus, haja vista a surpresa com que divulgou o fato. A recente falta de energia que afetou 18 estados brasileiros e parte do Paraguai não influenciou a avaliação do governo Lula, que cresceu de 65,4%, em setembro, para 70%, em novembro. Já a avaliação positiva do presidente subiu de 76,8% para 78,9%. Fenômeno que, segundo a CNT / Sensus, perde um pouco do impacto, se for levado em conta que, no início do ano, a popularidade de Lula batia a casa dos 80%.

Outros dados... Bem! Outros dados o internauta procure nos grandes portais de notícia. Não os publico porque os achei fantasiosos demais. Basta ter cuidado com o que lê e, de preferência, aguçar as antenas da inteligência, para não se deixar levar por delírios de grandeza, que só servem para afagar egos.

sábado, 21 de novembro de 2009

"Versão brasileira, Herbert Richers"

O Brasil chora a morte do produtor de cinema Herbert Richers, ocorrida ontem, 20 de novembro. Principalmente aqueles que, como eu, cinéfilos incorrigíveis desde a mais tenra idade, saboreou inúmeras vezes a qualidade das dublagens feitas pela empresa que leva seu nome.

Numa época em que nem se cogitava as facilidades tecnológicas de hoje e que as duas únicas oportunidades de apreciar a sétima arte e afins era via canais de TV abertos - sobretudo Rede Globo - ou ir às salas de projeção, o trabalho de Herbert Richers foi de fundamental importância. Os filmes assistidos em casa eram praticamente todos dublados, com raríssimas exceções, se é que existiam. Do contrário, o jeito era ir ao cinema.

Ao contrário de outras companhias do ramo, a Herbert Richers nunca deixou a desejar. A voz de atores nacionais costumava encaixar-se à perfeição aos personagens de filmes estrangeiros.

Por breves momentos, silencia-se a indefectível mensagem inicial, presente na esmagadora maioria das películas exibidas no país: "versão brasileira, Herbert Richers".

Richers nasceu em Araraquara, interior de São Paulo, em 11 de março de 1923 e se mudou para o Rio em 1942, onde fundou, em 1950, a célebre Herbert Richers.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A arapuca do STF

A decisão do Supremo Tribunal Federal de favorecer o governo da Itália com a extradição do ex-ativista de esquerda Cesare Battisti e, ao mesmo tempo, exatamente pelo mesmo placar - cinco votos a quatro -, passar para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a responsabilidade de acatar ou não a voz da Alta Corte, toma ares de desafio. Ou, quem sabe, de armadilha política. Uma arapuca que, ao que parece e raposa velha como é, não pegará o presidente. Ele já deu sinais de que não se deixará levar pelo ego e deve procurar uma brecha jurídica para manter Battisti no país, sob o manto de refúgio político.

Segundo noticia a Folha de S. Paulo de hoje, a estratégia resume-se a tentar usar o mesmo argumento do ministro da Justiça, Tarso Genro - "fundado temor de perseguição política" -, vez que o STF tornou sem valor a justificativa, adotada em janeiro deste ano, para continuar a abrigar o ex-ativista, que chegou à Terra de Santa Cruz em 2007 e desde então permanece detido. Prevaleceria, assim, a negativa ao pedido de extradição da Itália, onde Battisti foi condenado à prisão perpétua por quatro homicídios. Caso não seja possível o amparo da lei, Lula estaria disposto a cumprir a decisão do STF, que desqualificou os assassinatos de crimes políticos, enquadrando-os na categoria de hediondos.

O presidente quer evitar uma briga que, evidentemente, não seria nada produtiva e poderia ser manuseada como arma política na campanha eleitoral que já se avizinha. Presidente do STF, o ministro Gilmar Mendes, autor de declarações antiesquerdistas, além de ter ficado famoso pela maneira pouco ortodoxa de atuar à frente do Supremo - sempre a favor de poderosos como o banqueiro Daniel Dantas, o ex-prefeito Celso Pitta e o megainvestidor Naji Nahas, todos presos pela Polícia Federal, acusados de crimes financeiros, e, não obstante, beneficiados com habeas corpus na Alta Corte -, avisou que nunca na história um presidente descumpriu decisão do STF. O recado foi dado. Para o bom entendor, meia palavra basta... .

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Reedição criminosa de 1989

Do blog Vi o Mundo: Dois jornalões brasileiros, a Folha de S.Paulo e O Globo gastaram muito papel e tinta no fim de semana (edições de domingo, 15.11) para resgatar a memória das eleições presidenciais de 1989. Foram as primeiras realizadas no país após 25 anos em que a ditadura militar impôs as indiretas com as quais colocou no Palácio do Planalto cinco marechais e generais-presidentes, além de três oficiais-generais integrantes de uma Junta Militar.

Do blog de José Dirceu, via Vermelho : A Folha se limitou mais a um registro, ainda que interpretativo do jornalista Fernando Rodrigues. O Globo fez uma memória de quatro páginas com viés negativo para todos, mas principalmente para o presidente Lula, já que a tônica é que este foi adversário — arquiinimigo, diz o jornal — dos ex-presidentes Fernando Collor de Mello e José Sarney, hoje aliados de seu governo.

A memória e o resgate são válidos, mas o único fato que vale a pena destacar das eleições presidenciais de 1989, os dois jornais não podem ou não tem coragem de assumir: eles apoiaram Collor, que só foi eleito porque contou com o apoio da mídia. aliás, o próprio Collor agora admite isso.

Naquela campanha e eleição daquele ano, ela fez de tudo, sem nenhum limite ético, para derrotar Lula e eleger Collor. A mídia é, assim, a única responsável pela sua eleição junto com o grande empresariado.

Reedição - Preparamo-nos para nova eleição, a sexta desde que as diretas foram restabelecidas para presidente e agora, vivemos situação idêntica à de 20 anos atrás, em que vale tudo de novo na mídia.

Estão de volta até seus ventríloquos — como o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), com muitas falas em O Globo, ontem — para repercutir e repetir que a única consequência, ou a mais importante que ele destaca do pós-1989, é o apoio que os ex-presidentes Fernando Collor e José Sarney, agora senadores, dão hoje ao governo do presidente Lula.

O Globo não foi capaz — não quis ou não lhe interessava, o que é mais óbvio — de publicar uma palavra, de recuperar o apoio dos tucanos ao governo Collor quando todos sabem, é só puxar um pouco pela memória, para lembrar que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (então no Senado) e o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) quase foram ministros de Collor.

Só não foram ministros porque o companheiro deles, então senador Mário Covas (PSDB-SP), contrário a esse apoio, criou uma situação constrangedora que os impediu. E o apoio deles, e de todo o tucanato ao governo José Sarney? Naquelas duas ocasiões, o PT e Lula estavam e continuaram na oposição.

A mídia elege Collor - O agora senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) não quis falar ao O Globo sobre sua eleição para presidente em 1989, mas em compensação rasgou o verbo para Haroldo Cervalo Sereza na série especial do UOL a respeito, numa entrevista em que colocou muitos dos pingos nos is sobre sua vitória naquele pleito de 20 anos atrás.

À série especial do UOL, o agora senador alagoano foi franco e o online utilizou no título: "Relação com a Globo 'ajudou bastante', lembra Collor". O ex-presidente recorda, ainda, que sua candidatura era vista com simpatia também pelos outros grupos de mídia.

"Havia receio dos meios de comunicação de um eventual governo comunista", admite Collor, acentuando que o candidato da mídia seria o senador Mário Covas (PSDB-SP), mas ele "não decolou". Sua candidatura ganhou simpatia, então, conclui Collor, "porque não havia alternativa" para a mídia e setores conservadores.

Nota do blog: Particularmente, não acredito que a mídia possa ter desempenho tal qual na referida época. Todos os que viveram aqueles momentos sabem muito bem a jogada suja dos meios de comunicação, sob amparo de setores ultraconservadores, para não deixar que o sindicalista Lula chegasse à Presidência do Brasil. Isso não se questiona mais.

Apesar de até hoje, esses setores, que o próprio Lula, em entrevista recente ao programa "É Notícia", da RedeTV, adjetivar de "apodrecidos", não o aceitarem e a todo momento tramarem o retorno de seus pares ao poder, não se pode dotar a mídia de igual potencial. Sobretudo porque, nestes 20 anos, muita coisa mudou no ambiente tecnológico-comunicacional. Refiro-me ao advento da internet, onde, pelo menos por enquanto, os cerceadores do livre pensamento não conseguiram êxito.

Mas que a grande mídia já iniciou o embate para eleger a oposição. Ah! isso já. Não tenham dúvidas.

Foto: Natuch

"Lula, o filho do Brasil"



O filme "Lula, o filho do Brasil" chega inebriado de polêmica. Tudo porque sua pré-estreia, ocorrida ontem, em Brasília, reacendeu discussões sobre o possível uso político da obra do diretor Fábio Barreto. Assunto que, diga-se de passagem, só serve mesmo para colocar a oposição em polvorosa. Sinceramente, eu não entendo o porquê de tanta apreensão. Além de não ter recebido um centavo sequer do poder público - o orçamento de R$ 12 milhões foi coberto por diversas empreiteiras -, a película retrata a vida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva até sua eleição à Presidência do Sindicado dos Metalúrgicos, em São Paulo, em 1980. Para aí. Não aborda a extraordinária trajetória do operário que chegou ao topo da nação tupiniquim. O próprio Fábio Barreto não se cansa de esclarecer que o grande mérito do filme é retratar a luta do ex-torneiro mecânico nordestino, um brasileiro sofrido, retirante que sentiu na pele as agruras da pobreza extrema. Ingredientes que, conforme Barreto, já legitimam a iniciativa e enobrecem qualquer roteiro. No vídeo, a consagrada atriz Glória Pires, que interepreta dona Lindu, mãe de Lula. O presidente norte-americano Barack Obama já solicitou uma cópia da produção. Quem pode, pode. O resto é gritaria pura. Desespero dos incompetentes. Só isso.

Política rasteira

Uma coisa difícil, quase impossível, de entender é a tal da política. Sobretudo porque se trata de uma arte rasteira, embora criada com o altruísmo digno das grandes empreitadas. Afinal, a política delimita a vida em sociedade, administra a coletividade de modo a facilitar a vida de cada pessoa.

A realidade, entretanto, mostra a política como trampolim para o enriquecimento, a partir do momento sua metamorfose num canal de acesso a rios de dinheiro, que chega aos cofres públicos oriundo do bolso dos cidadãos de bem, via impostos.

O resultado de tudo isso? Bem, o surgimento de um lodaçal sem fim cujo único objetivo é manter o "status quo" e os comensais que dele sobrevivem. A alternância emerge na condição de alerta e, por isso mesmo, deve ser sufocada, sabotada, vilipendiada à exaustão. Somente assim é que as peças podres do xadrez são recolocadas nas posições originais. Retornam triunfantes.

O Brasil de hoje espelha de forma extraordinária o destempero a que chegou a política. Às vésperas de ano eleitoral, os protagonistas do processo já se arvoram em assegurar um lugar ao sol, nem que seja à base de traição, palavras soltas, não raro sem qualquer nexo, mas que, à custa de interesses inconfessáveis e da liberação criminosa de montantes financeiros absurdos, ganham os holofotes da mídia.

Despontam-se neste cenário pseudoestadistas, desbotados por um repertório incrível de ideias ultrapassadas, e que, no entanto, ganha ares de novidade. Na verdade, um velho travestido de novo. Um monstrengo na pele de galã. O atraso com o lustre do avanço.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Lula diz que momento mais triste de sua vida foi quando perdeu Lourdes, sua esposa montesclarense



Eu assisti à entrevista que o jornalista Kennedy Alencar, colunista da Folha de S. Paulo, fez com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para o programa "É Notícia", veiculado na RedeTV na noite do último domingo. Um dos trechos mais fortes da conversa do presidente com o repórter foi, sem dúvida, o momento em que Lula revelou a dor mais terrível que sentira na vida. A morte da 1ª esposa, Maria de Lourdes, uma montesclarense. Com a voz embargada, o chefe da nação contou que, em 1971, quando completara dois anos de casamento, fora visitar a mulher no hospital. Grávida de sete meses, ela estava internada para dar à luz. Como na época não se sabia antes se era menino ou menina, o sindicalista levara duas roupinhas, uma rosa e outra azul. Ao chegar no local, entretanto, soube da morte da esposa e do filho. O presidente chorou e o jornalista, visivelmente tocado, procurou amenizar o ambiente. Prevaleceu o silêncio... .

Noutra parte da entrevista, Lula denunciou a existência de "uma banda apodrecida da política brasileira" que, até hoje, não o aceita. Ninguém há de discordar. Os abutres estão soltos e, pior, prontos dar o golpe no pobre do eleitor. Caras de anjo, tentam demonizar o governo do operário.

domingo, 15 de novembro de 2009

Tirania

A semana passada teve a marca indelével de uma polêmica. Não me refiro ao apagão que, claro, trouxe à baila as eleições 2010 e mostrou para a população a sujeira que corre a céu aberto quando o assunto é política. Incluo aí os meios de comunicação, que fazem tudo, menos contribuir para que o cidadão de bem tenha uma ideia consistente sobre o atual contexto da realidade social, política, econômica e cultural do país.

A mídia, aliás, também protagoniza o motivo deste post. A revista The Economist, um periódico semanal inglês criado em 1843, criado com o principal objetivo de defender o livre comércio e a mínima interferência do estado na economia - noutras palavras, o capitalismo, uma característica que, cá pra nós, inviabiliza qualquer chamego com a esquerda -, publicou em sua última edição a arrancada do Brasil rumo à condição de potência, graças sobretudo à estabilidade eonômica. Na capa, o Cristo Redentor prestes a decolar, tal qual um foguete. O título: "O Brasil decola".

Pois bem. Correu na internet o boato de que a revista Veja lançaria uma capa para contradizer a revista europeia. A suposta arte também apresentaria o Cristo Redentor, só que num pântano, em vias de cair no lodaçal. Ao fundo, um cenário de destruição. Veja chegou às bancas bem diferente. Destaca o corpo humano e seu uso.

A piada - pelo menos até a edição desta semana -, entretanto, não era tão impossível de ocorrer. Primeiro, porque Veja e a maioria dos meios de comunicação nacionais adotam linha editorial ultradireidista, francamente contrária ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no poder desde 2003 e reverenciado por uma popularidade extraordinária. O ex-torneiro mecânico contrariou toda expectativa sobre sua capacidade de gerir o estado brasileiro, privilegiou as camadas empobrecidas, com programas de renda complementar - pejorativamente adjetivadas de assistencialistas - e a educação, com a criação de nada menos que 12 universidades públicas, cursos técnicos e a adoção de mecanismos que facilitam o acesso ao ensino superior, entre outros.

E segundo, porque a proximidade das eleições do próximo ano injeta no contexto o fator político-partidário e sua relação promíscua com a imprensa. De agora em diante, pesquisas surgem do nada rumo a páginas, telejornais e agências virtuais de notícia, todos sedentos de mudança, num benefício direto a pré-candidatos da oposição. Não que a situação seja anjo. Nada disso. Mas o que espanta é o desequilíbrio, sobretudo no que diz respeito aos grandes veículos, e a falta de pudor em tornar público mentiras.

A reportagem de The Economist sublinha o desenvolvido do Brasil, a partir da década de 90, sobretudo após o controle da inflação, por meio do Plano Real. O fato de a iniciativa ter ocorrido na gestão de Fernando Henrique Cardoso não dá a ele todos os méritos, como deixa antever analistas que trabalham na imprensa de oposição. Até porque, nos oito anos em que dirigiu os destinos da Terra de Santa Cruz, FHC jamais obteve do exterior reconhecimento tão efusivo quanto seu sucessor. O governo Lula é competente, sim, na gestão do complexo estado brasileiro, a ponto de ter zerado a dívida externa com o Fundo Monetário Internacional e que FHC e seu séquito declarara "impagável".

Cito o exemplo do jornalista Reinaldo Azevedo, que mantém um blog no site de Veja. Ele não se furta à tentação de usar termos chulos para definir os petistas e procura enfatizar que, na referida matéria - The Economista -, há críticas veementes ao governo Lula. Adverte-o para a "húbris" - na definição do blogueiro significa "arrogância" - com os gastos excessivos da máquina e o olhar complacente sobre leis trabalhistas, taxadas de ultrapassadas. O texto da revista, segundo Azevedo, faz justiça quando cita FHC.

Sem querer, obviamente, Azevedo expõe uma chaga da imprensa brasileira. The Economist não comete gafe alguma ao elogiar e criticar o presidente Lula. Cumpre aí a função primordial da arte de bem informar/formar a opinião pública, conforme os moldes de linha editorial francamente de direita, oferecendo aos leitores a chance de fazer um juízo lógico acerca do assunto abordado. Se Veja, IstoÉ, Grupo Globo e outros tivessem postura semelhante, o brasileiro poderia mensurar melhor a qualidade de quem almeja concorrer à Presidência. Diga-se de passagem, um cargo de extrema importância e que, por isso mesmo, deveria ser algo longe do alcance de pessoas cujo passado e presente não o abonam em nada. Mas a subserviência ao dinheiro e a interesses inconfessáveis leva a imprensa a criar falsos líderes. Os holofotes os evidenciam sempre que a situação os favorece. E os coloca na penumbra quando as evidências escabrosas os abate.

Da lama emergem personalidades igualmente imundas, na alma e no caráter. Na verdade, não passam de protótipos de estadistas desbotados. Aliam covardia e tirania para se apresentarem na condição de anjos.

Afinal, o que os dois termos têm a ver um com o outro? Bem, o conceito de ambos os termos dá uma noção de que uma mistura assim pode ser explosiva. Senão, vejamos:

Covardia: É a corrupção da prudência, o oposto da coragem ou bravura. Trata-se de comportamento que reflete falta de coragem, medo, timidez, poltronice, fraqueza de ânimo, pusilanimidade ou, ainda, ânimo traiçoeiro. É deixar de fazer algo, desistir, abandonar pela metade, pela falta de confiança em si próprio. É atacar sabendo que o adversário não poderá defender-se.

Tirania: É caracterizada pelas ameaças às liberdades individuais e coletivas. A moderna tirania é representada por políticos que, não tendo mais o poder de matar ou mesmo prender o opositor, preferem usar métodos substitutos como processos judiciais por calúnia e difamação, compra da imprensa e dos órgãos de informação. O comportamento tirânico de um político muitas vezes pode ser visto pelas altas verbas gastas em publicidade governamental. Conceitos retirados da wikipedia.

A conclusão fica a cargo do internauta.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Apagão não terá impacto eleitoral

Do Terra Notícias: O apagão que atingiu pelo menos 18 Estados brasileiros na noite da última terça-feira e na madrugada de quarta-feira não deverá ter impacto relevante nas eleições presidenciais de 2010, segundo o diretor do instituto de pesquisa Vox Populi, Marcos Coimbra. Para ele, o caso isolado é algo que não pode ser atrelado de "maneira indiscutível" a um candidato.

"Não se pode dizer que é culpa da Dilma (Rousseff, ex-ministra de Minas e Energia, atual titular da Pasta da Casa Civil do governo Luiz Inácio Lula da Silva e provável candidata à Presidência). Por mais que a oposição tenha usado isso, não convenceria (o eleitorado)", afirmou Coimbra.

Segundo o diretor do instituto de pesquisa, "raríssimas pessoas fariam ligação entre ela e o apagão. Portanto, me parece que, do ponto de vista eleitoral, não deve ter impacto relevante".

Coimbra afirmou que o cenário político atual é distinto do momento vivido nas eleições de 2002, quando o então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) sofreu um desgaste e não elegeu o candidato José Serra (PSDB). Naquele ano, Lula foi o vencedor do pleito após quatro candidaturas consecutivas.

"O que teve impacto relevante na (eleição) de 2002, não foi o fato de, em um determinado dia, o País ter ficado sem luz, mas o que foi muito ruim para a imagem do Fernando Henrique foi o racionamento (de energia elétrica). Foi as pessoas terem de discutir como iria funcionar o elevador e o sinal de trânsito ou em que horário poderiam tomar banho. O prejuízo da imagem de Fernando Henrique (ao longo de 2001) foi muito grave e uma das causas prováveis da derrota (nas urnas)", afirmou.

Segundo Coimbra, FHC havia enfrentado antes do racionamento a crise cambial em 1999, que afetou gravemente a economia e desvalorizou o Real, pilar do seu governo.

"Em 2000, o governo foi se recuperando, mas quando chegou no inicio de 2001 - entre março e abril -, começou a crise energética, e o governo Fernando Henrique imbicou numa decrescente e não se recuperou mais. Em 2002, ele tinha nível de aprovação ótimo e bom em torno de 25%. O Lula tem hoje cerca de 70% de aprovação", disse.

Segundo a pesquisa Vox Populi/Band, divulgada na última terça-feira, o índice de aprovação do presidente Lula subiu de 65% em outubro para 68% em novembro. A margem de erro é de 2,4%. Dois mil eleitores foram ouvidos em 170 municípios de todos os Estados, com execeção de Acre, Roraima e Rondônia.

Antecipação eleitoral

Cientista político, Coimbra, que tem acompanhado todas as eleições no País, disse que a antecipação eleitoral - como está acontecendo atualmente no Brasil - jamais foi vista nos anos anteriores. Ele ainda brincou: "amo os anos pares", fazendo referência aos anos em que ocorrem as eleições no País.

A antecipação da corrida por alianças para as eleições de 2010 foi intensificada no início de outubro, quando o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), afirmou que PT e PMDB estarão juntos. O anúncio causou desconforto nos diretórios estaduais, principalmente em São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul. Os dirigentes nesses Estados não concebem palanques regionais entre essas duas legendas.

Porém, a oposição não está mais confortável. No PSDB, ainda há um impasse sobre quem será o presidenciável. (...)

Nesta quinta-feira, a executiva nacional do Psol aprovou a formação de uma comissão para iniciar negociações formais com a senadora Marina Silva, pré-candidata à Presidência da República pelo PV. Segundo o presidente do Psol no Rio Grande do Sul, Roberto Robaina, essa decisão "abre a possibilidade de uma aliança que se constitua em um pólo alternativo diante dos dois grandes blocos que disputam o poder - PT e PSDB -, mas que não têm grandes divergências programáticas", disse.

Nota do Blog: Bem que os eleitores poderiam peneirar os pré-candidatos que ora se apresentam. Se assim fizerem, chegarão à conclusão de que, sobretudo os da oposição, não merecem sequer um olhar seu, quanto mais o valioso voto. Se, em situações técnicas dessa gravidade, eles não enxergam um palmo à frente do nariz - a não ser, claro, seus interesses espúrios -, faça ideia a forma como conduzirão os destinos de um país. Cuidade, eleitor! Cuidado!

Foto: Acorda Brasil

Insistência da vida: bebê sobrevive a aborto

Do Blog da Amazônia: Um bebê com cinco meses e meio de gestação sobreviveu a um aborto autorizado pela Justiça na Maternidade Bárbara Heliodora, em Rio Branco (AC), e foi entregue para adoção. O aborto foi autorizado para favorecer a mãe, uma garota de 13 anos, vítima de estupro, que se recusou a ver o bebê.

Ele nasceu na terça-feira, 3, com 700g e permanece numa incubadora da maternidade. Os médicos informaram que sofre de displasia pulmonar, mas o estado de saúde é considerado estável.

A direção da maternidade informou que várias pessoas já manifestaram interesse em adotar o bebê prematuro. Ele foi entregue para adoção por autorização da família da mãe.

"O bebê nasceu com uma idade gestacional superior àquela que nós imaginávamos e agora ele recebe os cuidados necessários na nossa UTI", declarou à TV Gazeta o gerente assistencial da maternidade, Edvaldo Amorim.

Foto: Raul Marinho

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

De apagão e Uniban, tudo na hipocrisia

Nos últimos dias, a imprensa ganhou dois assuntos que, certamente, darão "pano pra manga" ainda por algum tempo.

O primeiro deles aponta para a hipocrisia verificada na Universidade Bandeirante (Uniban), onde uma aluna quase foi linxada por usar roupas curtas. Isso mesmo. Não fosse o imbróglio registrado pelos holofotes da mídia brasileira, em primeira mão, qualquer desavisado cairia na tentação de achar que o fato ocorrera num desses países orientais, de tradição muçulmana.

Mas não. Aconteceu aqui mesmo, logo ali, em São Bernardo do Campo, São Paulo. Confesso que ainda não entendi o que levou um bando de acadêmicos a atacar a moça, que trajava um microvestido vermelho. Moralismo exarcebado? Frustração coletiva? Sei lá. O fato é que, agora, a menina foi convidada para posar nua na Playboy. Mais ingrediente para fuxico. Se o objetivo era despertar os instintos selvagens dos colegas, com gestos sensuais, como chegou a ser divulgado, o tiro atingiu o alvo. De megera e vítima, a universitária passou a celebridade. Coisas do mundo dominado pela tecnologia.

O segundo rastro de pólvora, claro, é o apagão, que deixou no escuro nada menos que 18 estados brasileiros e parte do Paraguai, na noite dessa terça-feira. A oposição, diga-se de passagem, solta rojões. Finalmente uma rachadura considerável no casco do navio governista. Jornalistas saíram do casulo e não deixaram margem para dúvidas. "A culpa é do Lula". Numa visita a blogs de peso político, encontram-se textos de todo tipo. Desde o que equipara a fatalidade àquela amargada na gestão Fernando Henrique Cardoso, nos anos 2000 e 2001, até o que deseja analisar - em profundidade, viu? - os impactos políticos do blecaute na hidrelétrica de Itaipu.

E o pobre cidadão brasileiro, que trabalha diuturnamente, paga impostos até não poder, fica à mercê das jogadas políticas. O período eleitoral rumo a 2010 já começou faz tempo. Tudo, agora, na Terra de Santa Cruz, gira em torno do pleito previsto para outubro próximo. Noutras palavras, os políticos estão pouco ligando para o país. O que lhes importa é puxar o tapete do adversário, fazer cara de anjo e portar boas novas para a nação, de preferência soluções milagrosas.

E assim caminha a humanidade...